“Não devemos nos abater com as dificuldades”

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Muitas pessoas que possuem alguma deficiência já nascem com essa condição, mas a deficiência também pode ser decorrente de um acidente ou doença que acomete alguém durante a vida. É o caso de Elias Heleno da Bezerra que hoje tem 50 anos. Elias nasceu no ano de 1968, numa família simples de Cavaleiro, bairro de Jaboatão dos Guararapes. Ele não tinha nenhuma deficiência e conta o que aconteceu: “O local onde eu morava estava com um surto de meningite viral. Tinha seis anos e comecei a sentir alguns sintomas da doença, mas os médicos demoraram a me tratar e, por causa dela, tive sequelas que me deixaram com limitações físicas”.

A Meningite Viral é um dos tipos mais perigosos da doença. Ela afetou o membro superior esquerdo e o inferior direito de Elias que mesmo assim afirma que a infância não foi tão complicada por isso. “Desde que me entendo por gente, já tinha essa condição física. Antes eu era muito novo e não me lembro de tantas coisas, fazia tudo normal junto com as outras crianças”.

Elias Bezerra trabalhando no laboratório de informática da Universidade Católica de Pernambuco

Os problemas e dificuldades começaram a se agravar na adolescência “Quando fui ficando mais velho, as pessoas da rua passaram a ter um olhar mais preconceituoso, a minha própria família me deixava de lado por achar que a minha deficiência atrapalhava a vida deles”.   

Na hora de procurar um emprego, Elias sentiu na pele as dificuldades. “A mentalidade do empresariado brasileiro é restritiva e não pensa na inclusão das pessoas com deficiência”. Por cauda disso, ele passou muito tempo como profissional autônomo: “Fiz alguns cursos no Senai e passei muitos anos da minha vida trabalhando de forma autônoma na área de manutenção, montagem e configuração de computadores”.

Pensando em ter uma estabilidade financeira maior, Elias se cadastrou na Agência do Trabalho e começou a tentar se inserir dentro de alguma empresa. Primeiro ele trabalhou na Caixa Econômica do Cais do Apolo no Recife. Depois trabalhou três anos e meio no colégio Agnes, também na capital pernambucana. Ele afirma que as leis criadas em benefício dos deficientes ajudaram  na sua inserção dentro do mercado de trabalho: “A lei que impõe uma cota de funcionários deficientes nas empresas, junto com o meu cadastro na agência do trabalho, facilitou a minha inclusão nesse meio. Até hoje eu recebo varias ligações falando sobre vagas de emprego”.

Elias trabalha há nove anos na Universidade Católica de Pernambuco. Lá teve a oportunidade de fazer graduação em Administração e Pós-Graduação em Gestão de Negócios. Ele afirma que a instituição já era um ótimo local para as pessoas com deficiência, mesmo antes da existência das leis voltadas para elas.  (Confira no vídeo) 

Diante de tudo o que já viveu, Elias acredita que a sociedade ainda tem muito a melhorar. Ele afirma que as pessoas com deficiência não devem se abater pelas dificuldades. (Confira o vídeo) 

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