“Nós precisamos ter a chance de mostrar que somos eficientes e capazes”

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A descoberta de uma gravidez é um momento de muita alegria e não foi diferente para os pais de Pâmela Melo. Tudo corria bem durante a gestação, mas no sétimo mês os médicos deram o diagnóstico: Pâmela foi acometida por uma síndrome rara; a osteogênese imperfeita, uma doença que é popularmente conhecida como síndrome dos ossos de vidro.

A gravidez seguiu até o fim, porém o fato de saber que a filha nasceria com uma deficiência grave, provocou várias incertezas na família. A osteogênese imperfeita é uma doença rara, de caráter genético e hereditário, que afeta aproximadamente uma em cada 20 mil pessoas. A principal característica é a grande fragilidade dos ossos que se quebram facilmente. Em decorrência disto, o paciente precisa ter muito cuidado para não se fraturar.

Dia 6 de Maio de 1997. Pâmela Melo nasceu. Ela afirma que as dificuldades e preconceitos surgiram desde a infância. “Como não é uma condição comum, a minha própria família não me aceitava bem, muitas vezes me deixavam sem sair de casa por vergonha de andar comigo na rua”.

Pâmela Melo circulando no jardim do bloco G da Universidade Católica de Pernambuco                                        

Como se não bastasse o que enfrentava dentro de casa, estudar não foi uma tarefa fácil

Transcrição completa do áudio de Pâmela Melo 

Uma nova etapa estava para começar e novamente nada seria fácil. Sempre muito aplicada nos estudos, Pâmela foi aprovada no curso de Jornalismo, em 2016, na Universidade Católica de Pernambuco. “Tudo estava bem, mas quando comecei a procurar estágio, tive decepções. Muitas vezes eu passava nas seleções e as empresas tinham vagas disponíveis, mas quando chegava lá e viam que sou deficiente diziam que a vaga já havia sido preenchida”.

Infelizmente, essa situação se repetiu com Pâmela que até o fechamento do nosso trabalho não conseguiu um estágio. Ela explica que se sente discriminada. “As pessoas têm um olhar preconceituoso para o deficiente e nós precisamos ter a chance de mostrar que somos eficientes e capazes de desempenhar um trabalho como qualquer outra pessoa”.

Atualmente, Pâmela Melo tem 20 anos e está cursando o quarto período de jornalismo. Durante a vida ela já sofreu 22 fraturas pelo corpo, mas não se abateu. Hoje ela é um grande exemplo de superação que reflete as dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência dentro de um mundo que ainda não sabe respeitar todas as diferenças. Mas uma coisa é certa: Pâmela não vai desistir.

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